Percebemos que constantemente tanto a mídia quanto a própria população caracterizam a cidade Estrutural como o ponto de lixo. Sabemos que a cidade é único destino de resíduos fixos de todo o DF, mas afinal como os moradores se comportam diante de determinado preconceito? A população se conscientiza sobre o destino correto do lixo? Utilizamos nosso senso para ao menos respeitar nosso espaço?
Uma relação conjunta entre todos os agentes desse tipo de reação é extremamente necessária. Perceber que o preconceito generalizado existe não só por que ocorre sobre nosso espaço, e sim porque nós também somos personagens importantes nesse processo, é o mínimo que podemos fazer para reverter esse preconceito. Cuidar de nossa cidade é o primeiro passo para que possamos entender que ela é aquilo que praticamos, exercemos e atribuímos a própria.
Em meio a esse contexto, um grupo de jovens criou um curta-metragem inspirado no longa-metragem “Estamira”, onde a personagem principal retrata a vida e o cotidiano de uma catadora. Mas a personagem não é somente uma catadora comum, é uma catadora que sofre com as dificuldades da vida, e uma realidade violenta: foi estuprada mais de uma vez, apanhava do marido e tornou-se viúva. Com essa realidade, a única saída foi trabalhar no maior aterro sanitário da América Latina, Jardim Gramacho, para sustentar sua família. Diante desse cenário, Estamira (personagem principal) sofre também com o descaso de um trabalhador: identifica um suposto câncer que prejudica sua saúde por completo! A história é real e ocorre no estado do Rio de Janeiro.
O curta “Cata(dores)” retrata o cotidiano de alguns catadores que trabalham desde o início do Lixão da Estrutural e sobrevivem até hoje do lucro que têm dos materiais retirados do aterro. Destaca as doenças adquiridas pelos trabalhadores devido o contato direto com o lixo e pela falta de equipamentos preventivos. Volta à atenção para os acidentes ocorridos durante a execução do trabalho, alertando a falta de segurança que existe no aterro sanitário.
O empasse entre onde seria o espaço adequado desse aterro ainda gerará muitas discussões, mas isso se trata de saúde pública: já que alguns alegam que esse aterro deveria estar dentro de um perímetro de 20 km, então por que esse aterro não fica nem a 2 km da população da nossa cidade? Existem trabalhadores que defendem a permanência do aterro na cidade por se tratar de uma referência econômica para os mesmos.
Será que somente deixar nossos resíduos em frente às residências é o suficiente? As lixeiras são realmente úteis, mas onde elas estão? Esse trabalho de conscientização é estritamente útil para entendermos o real papel de cada agente nesse ‘ciclo’, e ainda: o catador que sua no sol escaldante, além de desempenhar sua função como trabalhador, desempenha também a nossa, a mesma função de reciclar e reutilizar para que nosso espaço e ambiente não seja somente um espaço higienizado, mas também cuidar do nosso meio ambiente para que as nossas gerações futuras possam desfrutar dos prazeres da natureza. Isso seria um trabalho social, ambiental ou econômico? Enfim, isso não é o mais importante, o mais importante é saber que primordialmente estamos tratando de seres humanos, assim como você!







